Tomando como ponto de partida o romance de Teolinda Gersão, A cidade de Ulisses, proponho uma deambulação pela cena literária portuguesa tendo como centro a cidade de Lisboa, sustentada pela memória histórica e cultural, pela luz e pela atmosfera. De Cesário Verde a Álvaro de Campos, passando pelos cronistas quinhentistas, e por pontos de vista exógenos, remotos, como o do geógrafo árabe Edrisi, ou contemporâneos, como o escritor Derek Walcott e os dos realizadores Alain Tanner e Wim Wenders, sinalizo instantes estéticos que iluminam a singularidade desta, como um dia lhe chamou Augusto Abelaira, enseada amena, onde, parafraseando Walt Whitman, nasci, de pais igualmente aqui nascidos, de pais aqui nascidos, e onde também os meus filhos nasceram.

Mário Avelar

No dia 12 de março, o Professor Doutor Mário Avelar realizou uma intervenção de natureza literária, crítica e cultural, na qual cruzou literatura e cinema com os espaços da cidade e as vivências do quotidiano. Através de uma abordagem marcada por encontros e desencontros, o orador ofereceu ao público a sua lente crítica, explorando diferentes perspetivas na análise de textos de múltiplos escritores nacionais e estrangeiros, bem como de obras cinematográficas de diversos cineastas.

Esta deambulação intelectual por vários locais e zonas da cidade permitiu uma leitura sensível e multifacetada do espaço urbano, evidenciando a forma como a literatura e o cinema contribuem para a construção de imaginários, memórias e significados associados à vida urbana.